Esses dias, quase terminei de ler um livro de mais ou menos cem páginas esperando uma consulta médica. Cheguei quarenta minutos mais cedo, a secretária já avisou que havia um grande atraso, saí para almoçar porque não tive tempo de fazer isso em casa e ainda esperei mais duas horas. Acho que mulheres se submetem mais a esse tipo de coisa, quer dizer, a ficar esperando horas em consultórios. Um homem já teria ido embora depois de, no máximo, quarenta minutos. O O. tem um limite de trinta minutos, depois disso ele diz tchau e procura alguém que atenda no horário. Como sou eu quem marca as consultas dele, sempre pergunto se o médico é pontual e devo admitir que há médicos que atendem no horário e até antes, mas é preciso procurar e eu ainda não fiz isso com os meus (não que tenha muitos).
Também parece ser uma característica das mulheres perdoar o chá de cadeira porque o médico é "bonzinho" ou "simpático", critérios que um homem não adotaria.
Conheço o médico em questão desde a época em que ele atendia em um consultório apertado em um prédio e não em um casarão com máquina de expresso e grão moído na hora. Tenho que marcar a consulta com meses de antecedência e sempre sei que vou esperar, mas respiro fundo e digo que é apenas uma vez por ano e que, enfim, "ele é tão bonzinho!".
